Anticast 198: Vamos cutucar o Elefante Branco!

Priss Guerrero/ setembro 4, 2015/ Artes e Rabiscos, Conversa Fiada

Rock ON!!!

Hoje o podcast Anticast lançou um episódio cujo tema é o machismo no mundo dos nerds, entre outras coisas.

Esse episódio me fez refletir sobre muita coisa que já fiz aqui no Rock Me ON, inclusive, que eu mesma já fiz posts machistas, dos quais, hoje, me arrependo deles. Mas irei deixa-los aqui como lembrete para mim mesma, para não fazer novamente.

A discussão desse episódio vocês podem ouvir aqui, no site do Anticast e vale muito ser ouvido, discutido entre amigos, familiares, colegas de trabalho etc.

Se eu mesma, esta chucra que vos escreve conseguiu rever suas ações e ver que já postou lixo assim, vocês que são melhores também são capazes. EU acredito nisso.

Bom, gosto muito do Nerdcast e do Rapadura, citados no programa, mas confesso que dependendo de alguns participantes e temas, ou eu não ouço ou o faço amargamente às vezes, essa é a real. Mas a verdade precisava ser dita e o Anticast foi lá, cutucou o elefante branco (Se ouvirem o programa vão entender a metáfora).

Diante dos fatos, fiz o rabisco abaixo, que para mim, representa particularmente, a minha reação ao ouvir o Anticast de hoje. Bom, só tenho a agradecer ao Anticast pela oportunidade de reflexão e de rever as coisas que tenho feito, escrito, falado, pensado etc.

Ainda tenho muito o que melhorar, mas hoje já sou muito mais que em 1999, quando tive meu primeiro contato com a internet e meu passatempo era entrar em salas de chat e atazanar as pessoas, olha como sou babaca. Mas hoje já não faço mais isso, eu melhorei.

Bom, é isso, pessoal, segue o rabisco e se você chegou até aqui, obrigada por ler este meu desabafo.

anticast198

Rock OFF!!!

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3 Comments

  1. Se um podcast deixa de convidar ou aceitar uma pessoa por ser mulher, isso é machismo e deve ser combatido.

    Se um podcast não convida mulheres com a mesma regularidade que convida homens por que a esfera social dos podcasters inclue mais amigos homens, dando menos chance de encontrar uma mulher pra convidar, isso ainda é machismo?

    Quando eu preciso de alguém em uma área, primeiro busco os amigos. Quando não encontro neles o que preciso, busco indicações dos mesmos. E por aí vai. Acredito que no Nerdcast seja o mesmo, a única diferença é que eu conheço muito mais mulheres que eles, e por isso acabo encontrando especislistas mulheres também.

    Se eu tivesse mais amigos que amigas, seria machista por causa disso especificamente?
    Mas eu tenho mais amigas do que amigo; sou o que? Femista?

    Talvez eles precisam procurar mais, se esforçar pra encontrar maior variedade, já que o sistema de busca através do círculo social panelinha mostra ser muito limitado. Lembro quando trouxeram a esposa do Tucano, que infelizmente não lembro o nome pois só participou uma vez, a Ruiva e a Gica. Todas mandaram muito bem. Mas estas são ainda dentro do círculo social dos mesmos.

    Lembro também das próprias Sr. Jovem Nerd e Portuguesa reclamando que só são chamadas pra falar de futilidades, isso durante um dos programas!

    Todavia, não acho que deveria ter cotas pra mulheres. Não acho que deveria ser forçado ter um representante de cada grupo social todo episódio, muito menos ter mulheres só por ter. Pra mim, eles deveriam buscar profissionais, independente do gênero, seja mulher ou homem. Será que fazem isso? Fica a dúvida.

    Eu entendo que o Nerdcast reafirme uma cultura machista. Eu mesmo me incomodo as vezes com isso, como me incomodei quando o Azaghal falou que pediria ao pedreiro pra reforçar as colunas se a engenheira de sua casa fosse mulher. Essa cultura realmente acontece e podemos ver exemplos tanto nos comentários do Nerdcast quanto nos do Anticast sobre o assunto (paradoxo né).

    Infelizmente, quase toda vez que eu vejo um perfil feminino comentando, independente do site ou portal, este é seguido por uma avalanche de comentários de perfis masculinos, alguns mais sutis com elogios e cumprimentos, outros mais agressivos como cantadas desrespeitosas, palavras de baixo calão e pedidos de whatsapp e facebook.

    Eu sinto vergonha alheia só de ver, imagina a coitada da moça. Deve ser extremamente irritante.
    Ofensas mais graves devem mesmo machucar. Eu me machuco as vezes quando sou ofendido. Não consigo nem imaginar o que as mulheres passam.

    Porém, acho que foi um pouco exagerado responsabilizar o Nerdcast por todos os atos de seus fãs, especialmente violência explícita. Tem sim que colocar alguma culpa no Nerdcast, mas culpa por reproduzir a cultura machista, mesmo que involuntariamente. Mais que isso, tem que aplicar as leis cabíveis ao babaca que comete violência, mesmo que verbal. Pra deixar claro, concordo que cabia ao Jovem Nerd pedir pra galera parar de atacar a mulher no Twitter. Ver violência e não agir é omissão e, na prática, omissão vira consenso.

    Mas também achei exagerado o caça às bruxas que o episódio se tornou. O assunto tinha sim que ser tratado, mas vilanizar os podcasts por ações de terceiros enquanto lavam toda a culpa própria por ser o “primeiro a se desculpa e prometer mudança” me pareceu descompensado. “Eu não sou mais assim então posso apontar o dedo”. Ótimo que as pessoas aprenderam com seus erros, mas ajudar o amiguinho a aprender também é diferente de meter o dedo na cara. Talvez existam formas mais construtivas de abordar o assunto, menos “ataque ao Nerdcast e outros” e mais “ataque ao machismo em geral”.

    Sobre os podcast terem que falar sobre problemas sociais, achei um pouco forçado. Acho muito bacana que o Anticast tem essa temática, tava faltando podcast falando de assuntos mais políticos. Mas exigir que todos tenham a mesma proposta não faz sentido. Por exemplo, se eu tivesse um podcast dedicado a falar de album de figurinha, eu tenho que falar de machismo e racismo? Não posso simplesmente não ser machista nem racista e só falar de álbum de figurinha? Todos temos que falar dos mesmos temas? Seria o mesmo que exigir que todos os filmes falem de problemas sociais, que todas as séries de TV façam o mesmo, que etc… deu pra entender?

    Por final, o ponto forte deste episódio do Anticast foram os relatos das mulheres. Essas histórias tenebrosas de medo, agressão e opressão, quando compartilhadas, nos tiram das nossas zonas de comforto e nos faz pensar como seria estar no lugar delas. Empatia é um método muito produtivo de promover igualdade e, mesmo sendo incapaz de sentir o que elas sentem, me mobilizo a me policiar e a policiar os outros ainda mais.

    Não é de hoje que eu do alguns toques nos amigos, alguns avisos nos comentários, e até cheguei a defender algumas amigas de internet na SkyNerd. Infelizmente, fazem parte do meu cotidiano fazer comentários na internet e na vida real como:

    “Hey cara, você está assediando a moça; imagina que chato deve ser pra ele lidar com um monte de pedido de whatsapp toda vez que comenta neste site?”

    Isso tem que parar.

    1. Cara, eu acho que o ponto principal da discussão é que os nerdcasters deveriam ter feito algo para que os fãs não hostilizassem a guria como aconteceu e, claro, aproveitando a deixa, fazer um programa sobre o assunto, já que o alcance deles é enorme e realmente faria muita diferença. Eles são obrigados a fazer? Não! Mas, citando o universo que eles tanto adoram, o dos quadrinhos, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”… ou alguma coisa nesse sentido.

      E não, cara, o machismo no nerdcast não é mais “passivo” que “ativo”… o nerdcast é machista e o mundo, como um todo, ainda é machista. Vivemos numa sociedade patriarcal há séculos onde as mulheres são postas em segundo ou terceiro plano. Não dá pra mudar isso da noite pro dia, mas também não dá pra usar toda essa “cultura” como desculpa pra se omitir ou até mesmo perpetuar esse estigma.

      1. Não sei se você leu o meu comentário, mas eu também cobrei posicionamentos e principalmente ter ajudado a guria. Nisso eu concordei com o Anticast. Eu discordei de outros pontos.

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