Zé Batata!!!!

Rock ON!!!

cara

 

Zé Batata era um estudante de filosofia, afinal, a nota de corte desse curso era mais baixa de todas naquela universidade gratuita de São Paulo. O curso de filosofia também provia uma grade muito boa, livros interessantes para ler, nada de matemática, enfim, o curso dos sonhos  para o Zé Batata.

Fez a prova. Não teve dificuldades, pois estudara em escola particular sua vida toda e tirou de letra os exames.

Durante o primeiro ano, ia a todas as aulas e admirava Platão, Aristóteles e os demais clássicos filósofos gregos. Aí teve a festinha de final de ano, quando Zé Batata conheceu Bartolomeu, o Bartô Legal, pequeno traficante da faculdade, que lhe deu o primeiro baseado. Ahhh, que magia! Os neurônios morrendo, que sensação mágica, que leveza sem igual! Tudo fica mais bonito, mais devagar, mais ‘compreensível’ e fácil. Bom, era assim que pensava Zé Batata enquanto fumava seu quinto baseado da noite.

No segundo ano, estudou aos trancos e barrancos, mas fumava seu cigarrinho de maconha e mesmo o dia mais terrível, se tornava muito bom, belo e alegre. Ahh, como era boa a sensação dos neurônios morrendo.

Lá pela metade do terceiro ano, Zé Batata conseguiu um empreguinho. Não como filósofo, ora bolas, vocês já viram algum anúncio de emprego para filósofos em início de carreira? Claro que não! Zé Batata, com a ajuda de seu amigo Bartô Legal, foi trabalhar na Copiadora da Faculdade.

E era um emprego legal, pois podia ficar lendo boa parte do dia, conhecia pessoas, podia fumar quantos baseados quisesse, pois a copiadora ficava no subsolo do Bloco 11 da faculdade. Ninguém o via. Mesmo não ganhando muito dinheiro, tinha o suficiente para comprar seus baseados, que Bartô Legal fornecia quase que diariamente.

Por incrível que pareça e porque alguns professores já não suportavam mais sua presença após dez anos de faculdade, Zé Batata formou-se em filosofia. Nessa época já era conhecido como o Maconheiro da Copiadora, mesmo que nem trabalhasse mais lá, pois lá pelo quarto ano, uma aluna muito religiosa, ao ir pegar umas cópias de uns exercícios, o encontrou completamente drogado, com dois baseados na boca. Tirou fotos, filmou e o denunciou ao dono da lojinha, um senhor gordo, que tinha netos pequenos e era absolutamente contra o uso de drogas, mas pouco ia lá e não conferia o caixa, então também não sabia que eventualmente parte do lucro virava fumaça.

E lá estava o Zé Batata, formado, com seu diplominha e procurando emprego como professor de filosofia. Tentou alguns concursos, fazia uns bicos aqui e alí, só para ter dinheiro e comprar sua maconha, que enrolava com todo o cuidado, para não perder nenhuma grama, afinal, apesar de drogado, sempre fora perfeccionista em tudo o que fazia.

Seus pais, coitados, não sabiam de nada. Zé Batata parecia apenas cansado. Pensavam: “Ah, deve ser por causa da faculdade, tadinho. Logo ele se arranja.”

Estava lavando o carro de um vizinho, quando Bartô Legal chegou desesperado. Zé Batata não entendeu nada. Em seguida, dois homens chegaram, um grande e outro, franzino, meio careca.

Pegaram Batô Legal pelo pescoço, olharam para Zé Batata e se olharam. Não tiveram dúvidas: sacaram suas armas e atiraram: uma bala no peito de Bartô Legal e uma na cabeça de Zé Batata, que por milagre, segundo uma vizinha religiosa, não o matou. Os homens foram embora e nunca mais foram vistos.

Zé Batata foi levado ao hospital público. Ficou alguns dias internado. Saiu e como a bala atingira parte importante de seu cérebro, ficou com sequelas sérias. Precisava de ajuda para tudo: comer, beber, se vestir, andar. Era como se fosse uma criança novamente, um bebê.

O bom disso tudo, é que ele se livrou da maconha, embora nunca se julgasse um viciado, afinal, fumava um cigarrinho, dois por dia, só para relaxar.

Os médicos disseram, que por causa dos danos causados pela droga, ele não conseguiria se recuperar.

Alguns anos depois, seus pais morreram e seus demais familiares não queriam esse fardo. Zé Batata foi morar nas ruas, largados e pouco depois, morreu também e foi enterrado como indigente.

Quem diria, não? Drogas matam, afinal de contas!

 

Rock OFF!!!

 

—-

Colaboraram com o perfil do personagem: Marcelo Guaxinim (@marceloguaxinim) e Tiago Medeiros (@tcmedeiros)

Nota: essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas terá sido mera coincidência. A única coisa real: drogas matam, seu uso causa dependência, acaba com as famílias e você não deve fazer isso.