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A Arte do “Mal”!

13 de setembro de 2017 - Conversa Fiada
A Arte do “Mal”!

Rock ON!

Faz tempo que eu não escrevia aqui, né? A vida anda corrida, mas estou fazendo várias coisas e vocês sabem: podcast, canal no youtube, #rabisqueiradapriss pautas no MFC etc.

Bom, eu vi essa polêmica rolando, do MBL ter forçado, praticamente foi isso, o ‘querido’ Santander a encerrar uma exposição de arte por conter, uh, argh… ahnnn… peças em exposição que vão contra o que pessoas de mente chucra acredita ser bom.

Desculpem, não tenho outro termo para isso, são pessoas de mente chucra. Que não conseguem ver um palmo adiante do nariz sem achar que o ovo tem pelo e que este é na verdade um pentelho, logo, pornografia, portanto, errado, vamos queimar!!! Queima! Queima!!! *imagine pessoas com foices e tochas*

Eu vi algumas das peças no Link do Buzzfeed, texto da Tatiana Farah, “Veja 30 obras da exposição censurada no Santander Cultural (dentro do contexto) e tire suas próprias conclusões“, e sinceramente, quem tem o mínimo de educação em arte, um estudante iniciante, por exemplo ou mesmo quem não dormiu nas aulas, consegue entender o que está lá, sem essa balburdia e alarde todo.

Resultado de imagem para PAULO OSIR: Imigrante Lituano, 1930

PAULO OSIR: Imigrante Lituano, 1930 – essa é uma das obras na ‘exposição do mal’.

Fonte: http://laboratorioart.blogspot.com.br/2012/07/alienigenas-no-margs.html

Sobre Orsi: http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernidade/eixo/osirarte/osir.htm

A arte por si só é provocativa. Monalisa é  uma provocação: está sorrindo? Está pensativa? Conheci pessoas que sentiam-se incomodadas porque achavam que a Gioconda os estava observando. Deveríamos queimá-la por isso? Afinal, aquele decote, que ousado!!! (no tempo em que foi concebido o quadro, com certeza, hoje, bom…)

Talvez o “quadrado vermelho” seja mais provocativo. Não? É uma forma geométrica, você diria, o que há de provocativo nisso? Bom, para o autor a tela chama-se: “Quadrado Vermelho: Realismo Pictórico de uma Camponesa em duas Dimensões,1915”. Mas olhando bem, é apenas um quadrado vermelho, mal feito. Será? É uma camponesa, de vestido vermelho e onde está o ponto de vista do observador? embaixo do vestido? olhando do alto? O vestido está esvoaçando? Você vai ficar pensando nisso. OU está me mandando a merda nesse instante. Mas vai ter algum tipo de reação. Fiz minha arte.

 

Rock Me ON, Mexendo com você até não poder mais. Sim, é o nome do meu site. Todo. Nome e sobrenome? Nome e frase de efeito? Como assim, eu tô mexendo com você? Onde estou mexendo? Nos seus olhos, na sua cabeça? O que eu quis dizer com isso? Tem alguma mensagem subliminar? Bem, são muitas questões, que como autora, posso responder. Mas prefiro te deixar com essa interrogação, essa reflexão. É minha arte.

 

Sabem, quando alguém vira para você e diz o que você pode ver ou não, o nome disso é um só: CENSURA. Quando adulto responsável, não permite que sua criança veja determinada peça, seja um filme, foto ou quadro, é uma censura. E não é necessariamente ruim. Mas quando um ente, que não é governo, não é nada além de um amontoado de cabeças vazias e chucras, te impede de ver uma amostra, que tinha artistas como Pedro Américo, por exemplo, isso é uma censura péssima.

Afinal, você não é criança. Você escolhe o que quer comer, vestir, ouvir, ver, não é mesmo? E se, de repente, te impedissem de professar sua religião? Seus valores, de repente, fossem considerados errados? OU se o modo como você transa fosse criminalizado? Se a sua resposta foi: “Mas isso é impossível.” Parabéns, você não é uma minoria que precisa brigar para ter seus direitos básicos atendidos e respeitados. Mas se a sua resposta foi algo como: “Isso já acontece.” Então, só digo que você precisa continuar brigando sim. Gritando até sua voz ser ouvida.

É muito fácil estar do lado confortável. E fechar os olhos para essas injustiças, deixar essa gente de cabeça chucra ditar regras. Já vimos esse filme diversas vezes e sabemos como termina. Mas para quem está do outro lado, imagino que a luta seja árdua, diariamente matando um leão por dia.

Tomo como base, para meus argumentos, meus amigos gays e afros. Vejo seus posts, precisam sempre brigar por respeito. São chatos? Não. Nós, do lado confortável, que somos estúpidos demais para não perceber que não os tratamos como seres humanos iguais a nós mesmos que são.

A arte é uma forma de ruptura. A Arte deve ser isso. Algumas peças devem incomodar sim. É a provocação da arte. É o artista, que vê o mundo com outros olhos, dando um tapa na cara bovina da sociedade e mostrando: “ei, olha isso aqui. Existe. Você está vendo? Preste atenção!”.

Não dá para dizer, em arte, o que é bom e o que é ruim. Apenas o “gosto” e “não gosto”.

Mas isso tem que partir de você. Não de um governo, de uma empresa ou simplesmente de cabeças chucras.

E se você discorda de mim, acho ótimo. Eu provoquei você. Estou mexendo com você, até não poder mais.

Apenas não passe bovinamente por este post, como se não fosse com você.

 

Abaixo, as obras citadas:

 

Pintura da Mona Lisa

fonte: https://www.pariscityvision.com/pt/paris/museus-de-paris/museu-do-louvre/mona-lisa-historia-misterios

Quadrado Vermelho: Realismo Pictórico de uma Camponesa em duas Dimensões,1915.

fonte: http://www.julianaburlamaqui.com.br/kazimir-malevich-a-radical-reducao-da-pintura-nada-alem-da-forma-e-cor/

 

E é isso.

Rock OFF!!

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