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Perguntas Transcendentais Sem Respostas “por Definição”

ROCK ON e apertem os cintos. Aqui é o Lucas Balaminut, e hoje o papo é de maluco.

Há números chamados de Números Transcendentais.

Em uma definição formal [chata e difícil de entender], um Número Transcendental é um número real ou complexo que não é raiz de nenhuma equação polinomial a coeficientes racionais. Logo, um número real ou complexo é assim transcendental somente se ele não for algébrico. Por consequência, esses números são irracionais e não podem ser escritos na forma de fração. [Não falei que era chato?] Todavia, não poder ser escrito em forma de fração é apenas a ponta do iceberg, a casquinha da ferida. O problema é muito mais profundo.

A parte fascinante é que estes números têm esse nome porque simplesmente transcendem a lógica. De forma simples: não há explicação lógica que podemos construir para eles. Não há nenhuma maneira de descobrir o seu verdadeiro valor usando a lógica ou coletando conhecimento do universo. O melhor que podemos fazer é aproximá-los, ou melhor dizendo, aproximar o nosso conhecimento à eles.

São números como
Ω: a constante de Chaitin, ou constructo de Chaitin, que indicaria a probabilidade de um programa de computador parar, se não fosse incalculável.
π: a circunferência de um círculo dividida pelo diâmetro do mesmo;
e: a constante de Euler, de tal forma que para todo valor x de e^x, a inclinação da curva também é o resultado de e^x;

[Como se isso por sí só já não fosse bizarro, e elevado à qualquer potência algébrica diferente de zero gera um outro número transcendental. Diferentemente, que tal elevar um transcendental à outro transcendental? Vamos tentar com os mais famosos: e^π também é transcendental]

Além de tantos outros, como qualquer número algébrico diferente de 1 e 0 elevado à qualquer número algébrico irracional.
Por exemplo: 2^(2^(1/2)) [leia: dois elevado á raíz de dois].

Nenhuma construção lógica nunca vai encontrar estes números. Bizarro? Com certeza. A parte mais maluca é que, usando a própria lógica, podemos provar que nunca vamos encontrá-los através de lógica. Podemos provar de forma lógica que eles não pertence à lógica. Podemos provar que mesmo se reunirmos todo o conhecimento em todo o universo e construirmos um computador infinitamente inteligente, este ainda não vai encontrá-los.

Existem regras universais; chamamos estas de lógica. Através deste processo, podemos validar uma verdade através de outras verdades. Um exemplo simples:

Se A > B e B > C
Logo A > C

Estamos intrinsecamente aprisionados à lógica. Tudo no universo respeita suas regras. Todavia, não podemos descobrir todos os fatos do universo através da mesma, como se fôssemos fundamentalmente impedidos de encontrar esses fatos, essas verdades. Existe a lógica e existem os números que a transcende, os números transcendentais. É uma tentativa fútil tentar encontrar esses número? Talvez sim, uma vez que, por definição, não podem ser encontrados por nada que temos ou possamos ter. No entanto, ainda é divertido tentar. O recorde de casas decimais do π já alcança trilhões de dígitos. Quanto mais tentamos aproximar o nosso conhecimento à estes, mais evidente se torna que os mesmos são fundamentais, partes de algo diferente daquilo que estamos aprisionados, mais evidente fica que estamos separados deles por uma barreira fundamental. Simplesmente não pertencemos ao mesmo domínio.

Aqui vai um paradoxo divertido para você:

Uma consequência é gerada por uma causa. Por sua vez, essa causa é a consequência de uma outra causa.
Isso gera uma corrente infinita de causas -> consequências.

Causa(A) -> Consequência(b)
Consequência(b) = Causa(b)
Causa(b) -> Consequência(c)
Consequência(c) = Causa(c)

Se cada consequência tem uma causa, deve haver uma maneira de reunir conhecimento suficiente para rastrear todas as causas e as consequências até…. até aonde? O que existe no começo? Existe um começo? As causas e consequências formam uma corrente infinita, sem começo? Ou seria um círculo? Se é um círculo, o que gerou o círculo antes mesmo dele existir? Se não há começo, o que as causou primeiramente? Se há começo, seria este os números fundamentais? Se estes são o princípio, eles não teriam causa também?

Algo que é impossível por todas as maneiras universais de ser rastreado à sua causa é definido como aleatório. O único processo verdadeiramente aleatório que sabemos é a o colapso da função-de-onda que gera a posição de uma partícula. Quando uma função-de-onda de partículas se colapsa, a posição da partícula é aleatória e não pode ser definida de nenhuma forma, nem mesmo usando a própria função que se colapsou. Há algo como isso no reino da lógica e dos números? Seriam os números transcendentais aleatórios?

Mesmo algo aleatório tem uma origem, que não necessariamente o causa, mas que simplesmente não pode ser rastreada por conhecimento ou lógica. Se os números transcendentais são aleatórios, eles tem origem? E essa origem, tem uma causa também?

No final das contas, os números transcendentais não resolvem nosso paradoxo. Eles simplesmente não fazem parte da corrente de causas e consequências. Então, se não são causa nem consequência, o que são? Como podem existir simplesmente por… existir?

Pode algo existir simplesmente por que existe? Pode algo existir sem fazer sentido, sem ser lógico?

Isso traz um contra-ponto também interessante: por que a lógica existe? Pode algo existir só por que faz sentido?

Ambas as perguntas partem de dúvidas ainda mais fundamental: o que é existir? Por que as coisas existem?
O simples fato de ser lógico é suficiente pra existir? O simples fato de não ser lógico impede que algo exista?

E a nosso paradoxo fica sem resposta, pois se cada consequência tem uma causa, e esta causa é a consequência de uma outra causa, podemos sempre nos perguntar: qual é a causa que veio antes da consequência(x)?

Isso significa que podemos rebobinar o universo pra sempre?
Valores fundamentais, tais como números transcendentes são uma maneira de resolver esse paradoxo?

Sobro verdades fundamentais:

Tudo no universo pode trazer dados que podem ser escritos de forma coesa como informação. Podemos simplesmente escrever tudo como informação; todavia, para isso, precisamos de um código. Um código é uma forma estruturada de armazenar informação e coordenar relações lógicas. Um código usa símbolos que tem definições pré-estabelecidas. Estes símbolos seguem um padrão, ou uma regra [ou um grupo de regras/padrões], que codifica e decodifica a informação. Podemos construir um código com muitos símbolos para facilitar o cálculo de decodificamento. Ou podemos reduzir este código à quantidade mínima de símbolos possíveis. Podemos escrever um código com 5 símbolos, 3 símbolos, 2 símbolos…. será que da pra escrever um código com apenas 1 símbolo?

Tente imaginar um código com apenas 1 símbolo: a letra X.
Digamos que, nesse código, a palavra “abacaxí” seja representada por X.
A palavra “banana” então, não pode mais ser representada apenas por X, pois este já tem um significado; porém, como só podemos usar o símbolo X, a única forma de representar “banana” usando apenas X sem que o significado do mesmo fique dúbio é acumulando mais um X. Logo, “banana” é representada por XX. E assim vai… [imagina o que será XXX?  ( ͡° ͜ʖ ͡°)]

Este código é… inútil. Ele não teria como ser decodificado pois nunca saberíamos se XX significa “banana” ou “abacaxí abacaxí”. XXXX pode significar tanto “banana banana” quanto “abacaxí banana abacaxí”, quanto “abacaxí abacaxí banana”, quanto “banana abacaxí abacaxí”. Pra que um código seja útil, precisamos poder separar uma representação da outra. Logo, a quantidade mínima de símbolos que podemos usar em um código é 2. Um código com 2 símbolos é chamado de booleano.

Tudo, absolutamente tudo no universo pode ser escrito em código booleano. Isso significa que, conforme exploramos as regras e estruturas do universo, e as decompomos em outras regras e estruturas mais básicas e mais fundamentais, podemos chegar na estrutura mais básica de todas, com pelo menos duas existências. O universo tem pelo menos duas entidades, duas verdades, duas existências, duas coisas fundamentais, duas… coisas! Chame do que quiser. Aqui vale lembrar da importância do temor “pelo menos”. Nada impede que sejam mais que duas entidades, como três, quatro, cinco, etc. De qualquer forma, o universo é pelo menos booleano.

Não temos como saber o que essas duas “coisas” são. A coisa e a não-coisa. Uma não é a outra, e a outra não é uma, pois elas necessariamente tem que ser diferentes de alguma forma para poderem se diferenciar e, com isso, montar estruturas mais complexas.

Aqui vai a pergunta final: seriam os números transcendentais essas “coisas”, as existências mais básicas que compõe as estruturas de nível mais fundamental do universo?

Não fique atento nesse mesmo horário, nesse mesmo canal, pois simplesmente nunca iremos descobrir a resposta, por definição.

ROCK OFF.

Devaneios Criativos sobre Criatividade


ROCK ON leitores! Aqui quem fala é o Lucas, seu pseudo-gringo favorito. As vezes eu conheço pessoas maravilhosas na internet que proporcionam conversas interessantíssimas, que desafiam a mesmice e a banalidade com reflexões curiosas. Uma dessas conversas ficou tão bacana que resolvi contar pra vocês, amigos leitores!


Tudo começou quando meu amigo Benjiro me perguntou:

Vc já se pegou bolando uma história na sua cabeça, e dai vc vai ver um filme/livro/game/desenho e vê que é basicamente o que vc estava criando, e dai agora se vc resolver fazer algo com essa ideia vai ser considerada plágio?”

Caramba! Isso acontece comigo o tempo todo! Entusiasmado com a descoberto de que este fenômeno acontece com mais pessoas, resolvi hipotetizar que este “plágio” sem intenção possa sugerir algumas idéias. Vou enumerá-las aqui. Eu sei quealgumas estão erradas (ou podem estar), mas vale expô-las só por reflexão. Hipotetizo que:

1. As pessoas já criaram e acumalaram quase tanta informação quanto temos capacidade de criar novas.

Imagine o início da criação cultural humana. Neste primórdio abstrato, qualquer conceito criado poderia ser considerado novo, já que pouquíssimo conhecimento existia. Então, com a invensão de um sistema de linguagem com escrita, começamos a armazenar o conhecimento e idéias já existentes poderiam ser gravadas. Muito tempo depois veio a prença, e depois o armazenamento digital da informação. Quanto mais informação armazenada, mais difícil de criar conhecimento inédito, já que uma quantidade crescente de conhecimentos já existem. Isso poderia acontecer pois, quanto mais rápido temos capacidade de criar conteúdo, mais conteúdo se acumula, e mais difícil fica criar algo novo. Essa tendência é como uma curva exponencial que começa a crescer muito rápido, mas depois vai desacelerando (conhecida como curva de explosão), tendendo a um limite. Estaríamos então neste limite onde é incrivelmente difícil criar algo novo?

2. Tudo que criamos é o resultado da combinação dos significados que aprendemos anteriormente.

Podemos misturar toda a cultura a que somos expostos em combinações realmente inesperadas e criativas, mas somos limitados às mesmas.

(Galera de Humanas, tentem não se apaixonar por mim agora).

Dentro das experiências singulares de cada indivíduo, existem infinitas maneiras de pensar e combinar, mas estas não escapam das experiências em sí – da mesma forma que existem infinitas frações entre 0 e 1, mas elas não são menores que 0 nem maiores que 1 – é um escopo criativo infinitamente incontável, porém ainda limitado. (Galera de Exatas, sua vez de se apaixonar!)

Dessa forma, o processo criativo é, na verdade, o processo de transformação daquilo que já conhecemos. Exemplo maneirinho:

As horcrux do Harry Potter são argumentos narrativos fascinantes. Neste universo de fantasia, o vilão pode dividir sua alma em pedaços e guardá-la em objetos paupáveis! Que idéia bacana. Mas pera, já li isso antes… Já sei! As horcrux são claramente baseadas nos Anéis do Poder, do universo do Senhor dos Anéis.

“Oh não! Seria Harry Potter uma farsa? Uma cópia?”

De maneira alguma. J. K. Rowling foi claramente influenciada por Tolkien, mas as histórias tem propósitos e elementos muito diferentes. Porém, o fato de terem alguns elementos narrativos parecidos sugere que esta hipótese pode estar certa. Mas não para por aí! A saga Senhor dos Anéis é um spinoff do livro O Hobbit, que conta as épicas aventuras do Bilbo Bolseiro. Nestas, Bilbo encontra em uma gruta um anel que o torna invisível quando usado.

Todavia, este é baseado no Mito de Gyges, da República II. Nessa parábola, Platão relata a história de um camponês chamado Gyges que encontra um anel mágico em uma gruta escondida. Com este anel, Gyges pode se tornar invisível, e logo descobre que não seria penalizado por suas ações. Platão então faz um ensáio sobre moral, conciência e escolhas, explorando a possibilidade de agir sem consequências.

“Seria então todos plagiadores de Platão?”

Também não. Esta história é uma releitura de mitos locais que tentam passar uma lição moral de forma narrativa. Criar é ligar o liquidificador de referências prévias, e tanto J.K. Rowling quanto Tolkien e Platão transformaram um conceito no outro para apresentar suas idéias.

Principalmente depois das mídias com alcances de massa, como o rádio e a televisão, um conceito pode viajar sem amarras geográficas em forma de narrativa; depois da internet, tudo fica gravado pra leitores, ouvintes e expectadores posteriores. Sabe-se lá quem  vai ser inspirado a reconstruir uma narrativa para explorar suas próprias idéias.

References… references everywhere!

Essa é a beleza do broadcasting! Dentro deste pressuposto, idéias novas são uma combinação das anteriores; existe uma maneira matemática bacana de entender o problema: imagine que em uma cultura X existem apenas duas idéias. Idéia A e idéia B. Dessa forma, você pode organizar elas destas maneiras:

A
B
AB
BA

Você pode combiná-las da maneira que quiser, mas não tem como escapar disso ou de variações repetidas disso.
Agora, imagine que a cultura X tem 4 idéias: A, B C e D. Já temos muito mais maneiras de cobinálas:
A
B
C
D
AB
AC
AD
ABA
ABB
ABC
ABD
ABAA
ABAB
…..

Agora imagine uma cultura dinâmica como a da humanidade toda, que tem muitas idéias. Existirá tantas maneiras de combiná-las, mas tantas, que vai parecer infinito. Mas não é. E como temos capacidade de armazenar e acumular essas informações, principalmente agora com o advento da “rede mundial de computadores” que deixou mais fácil produzir e disseminar uma combinação nova, podemos chegar em um determinado momento quando teremos tantas combinações já feitas que uma “nova” idéia parecerá muito semelhantes as anteriores.

É interessante pensar que o argumento oposto também pode ser feito: o fato de existir tantas idéias significa uma quantidade exponencial de novas idéias a serem combinadas. Fica o dilema.

3. Talvez não exista uma saída da caverna de Platão.


O mito da Caverna de Platão conta a parábola de prisioneiros que foram criados em uma caverna; nesta, os prisioneiros eram presos de tal forma que apenas podiam ver projeções de sombras na parede da caverna. Por serem criados a vida inteira neste ambiente, os prisioneiros não tem capacidade de imaginar nada além das projeções de sombras, um universo sem cores, binário (sombra e não sombra) e plano, com apenas duas dimensões espaciais: altura e largura, mas sem profundidade. Na parábola, um prisioneiro pode ser liberto; quando isso acontece, este conhece um universo inteiramente novo, multi-color, tridimensional, e grandioso. A pessoa liberta descobre o Dia e a Noite, rios e mares, animais, sociedades inteiras feitas por milhares de outras pessoas. É relevante dizer que esta pessoa não tinha como imaginar este universo enquanto ainda era prisioneiro, já que toda sua realidade se resumia ao interior da caverna e a sombras na parede. Foi necessário libertar o prisioneiro para que ele entende-se o mundo fora da caverna. Mas… e se o mundo lá fora for uma outra caverna, apenas muito maior e mais complexa?

Dessa maneira, você sai da sua caverna pra entrar em uma muito maior. E quando sai desta, entra em uma outra muito maior ainda. Mas sempre está limitado às paredes da nova caverna, por mais longe que estas estejam, nunca poderá criar algo além dos limites impostos pela mesma.

4. Seria a capacidade de criar algo novo matematicamente redutível?

Este é um conceito de reflexão muito antigo que surgiu logo em que o ser humano descobriu que podia observar padrões na natureza e, usando os mesmos, poderia prever o que aconteceria em seguida. Começamos associando os padrões das estrelas no céu com as estações do ano e, desde então, descobrimos um universo inteiramente vasto que pode ser descrito através da matemática. Acho importante deixar claro aqui que quando falo em matemática, não falo da Língua Matemática, sistemas de regras e símbolos que usamos para expressar relações lógicas, mas sim da Lógica em si, que independe da língua usada para ser expressa. Visto o sucesso do uso de padrões lógicos na Física e na Química, e até na biologia, a redutibilidade matemática se torna um questionamento constante: “poderia tudo no universo ser reduzido a uma expressão matemática? É tudo calculável, previsível?”

Acho importante dizer que “calculável” não diz respeito a sua capacidade de calcular algo, ou a capacidade de um computador calcular algo. Não diz respeito à capacidade prática de calcular, mas à capacidade teórica e universal de calcular. Por exemplo, pode existir uma equação tão complexa que levaria um computador bilhões de anos para calcular, ou talvez os nosso computadores atuais nem sejam capazes de tal, mas se existe qualquer possibilidade de chegar em um resultado desta equação independente do custo de recursos que isso gera (tempo é um recurso), esta equação é calculável. Sim, este não é um conceito prático, mas um conceito teórico que só faz sentido no mundo das idéias.

Até a década de 20, muitos achavam que sim, TUDO no universo pode ser calculado. Aparentemente, tudo na Física era calculável. Então surgiu a reflexão de que se o comportamento dos corpos das pessoas seguem as leís da Física, logo o comportamento de uma pessoa também poderia ser calculado, nos mínimos detalhes e nos detalhes mais específicos de um indivíduo.

O XKCD tem uma tira excelente sobre o assunto:


purity


Para calcular o comportamento humano em sua completude, seria necessário:

i. conseguir saber todas as relações, padrões, leis e regras que regem o comportamento deste indivíduo;

ii. conseguir saber todas as variáveis, como experiências passadas, condicionamento, predisposições genéticas, balanceamento químico/hormonal do cérebro, etc;

iii. conseguir saber e expressar todas as relações entre as regras (i) e variáveis (ii) com precisão perfeita.


Independente se conseguimos descobrir i, ii e iii, muitos desconfiavam que o ser humano é matematicamente redutível, só é tão complexo, mas tão complexo, que seria extremamente difícil calcular seu comportamento. Ou seria?

Existe um estudo que consegue prever com de precisão de até 94% se um casal de homem e mulher vai continuar junto ou vai separar. O estudo usa as conversas dos casais como variáveis, especialmente a velocidade, facilidade e intensidade em que pequenos conflitos escalam pra grandes brigas. Mas isso não quer dizer que todo comportamento humano pode ser calculado, muito menos que todo comportamento da natureza pode ser calculado também.

Quando descobriram a Física Quântica, a redutibilidade matemática perdeu muita força por causa da dualidade partícula-onda: uma partícula se comporta tanto como uma onda, quanto uma partícula clássica (um pontinho ou corpúsculo no espaço). Uma vez que descobrimos isso, faltava saber por que as partículas se comportam ora como ondas e ora como corpúsculos. Porém, toda vez que tentavam medir a onda durante seu trajeto, antes que ela batesse no sensor, a onda virava uma partícula no momento da medição. Achava-se que era um problema com o experimento, mas depois descobrimos que a dualidade é real quando encontramos uma forma de vê-la sem interferir em suas propriedades. Em vez de usar sensores sensíveis a luz, usamos sensores sensíveis ao campo magnético.

Mas o que é essa onda? Os físicos achavam que cada ponto da onda representava uma chance maior ou menor de encontrar a partícula, mas que ela estaria sempre em um único lugar. Porém, descobrimos que cada ponto da onda representa uma chance maior ou menor de SER a partícula, como se a existência dela pudesse espalhar em milhares de pontos. Este conceito é extremamente contra-intuitivo. Como pode algo não estar em um único lugar, mas estar em vários lugares? Como pode o fato de ESTAR se tranformar em CHANCES DE ESTAR em algum lugar? Como pode uma existência se espalhar? Muitos duvidaram que isso seria possível pois é diferente de tudo que já vimos na mecânica clássica.

Einstein era um deles e, em resposta ao problema, ele disse que “Deus não joga dados”, argumentando diretamente em favor da redutibilidade matemática. Ele simplesmente não queria acreditar que algo fosse aleatório na natureza.  Neste caso, vale a pena dizer que ele não se referia a um Deus de maneira religiosa, mas mais como “universo”, “natureza” ou ainda “leis da física”. Porém, foi provado que a onda é bizarra mesmo; Einstein se arrependeu profundamente de ter dito aquilo e passou a ajudar a desenvolver a mecânica quântica.

Pra saber mais sobre o assunto, recomendo este artigo.

Tá, então nem tudo pode ser calculado, existe realmente aleatoriedade no mundo microscópico. Mas será que existe também em escala macroscópica? Será que o comportamento humano é aleatório? Pra ilustrar o problema, imagine que um apostador vai apostar se o giro de uma moeda vai dar cara ou coroa. A moeda é lançada e, enquanto está no ar, o apostador escolhe se a moeda vai mostrar cara ou coroa. Se o apostador conseguir medir com precisão a força aplicada na moeda e a trajetória da mesma (variáveis ii), se ele souber física (regras i) e tiver um meio de calcular a relação entre essas variáveis e essas regras (iii), o apostador pode prever o resultado do giro da moeda antes que este seja revelado. Neste caso, a aposta é matematicamente redutível.

Mas e se o apostador tiver que escolher entre cara e coroa ANTES da moeda ser lançada no ar? Neste caso, o comportamento do ser humano que vai lançar a moeda passa a ser uma variável na equação de prever o resultado cara/coroa. O apostador teria que saber TUDO sobre o lançador (ii), todas as regras de comportamento humano que cabem ao lançador (i), e como essas duas coisas se relacionam (iii). Se o comportamento humano tem variáveis aleatórias, a aposta não é matematicamente redutível (ou é matematicamente IRredutível, mesma coisa).

What is Random? – Vsauce

What is NOT Random – Veritasium

 


Como até na Física existe aleatoriedade, não vejo motivos fortes o suficiente pra concluir que comportamento humano é matematicamente redutível. Porém, como a grande maioria dos problemas da natureza são matematicamente redutíveis, incluindo comportamento animal, também não vejo motivos fortes o suficiente pra concluir o oposto. Portanto, mantenho ambas hipóteses em aberto.

Mas o que tudo isso tem a ver com criatividade, com capacidade de criar algo novo?
Vamos revisar bem rapidamente as sugestões anteriores:

1. As pessoas já criaram e acumalaram quase tanta informação quanto temos capacidade de criar novas.

2. Tudo que criamos é o resultado da combinação dos significados que aprendemos anteriormente.

3. Talvez não exista uma saída da caverna de Platão. Você sai da sua caverna pra entrar em uma muito maior.

E agora a parte final:

4.A) Se o comportamento humano for redutível, estamos presos nas sugestões anteriores.

4.B) Se o comportamento humano for irredutível, podemos realmente dizer que é possível criar algo novo.
Quanto maior for o nível de aleatoriedade, maior vai ser a variação nas formas de combinar os significados anteriores (3). Tendo uma aleatoriedade grande o suficiente, podemos combinar conceitos antigos de formas completamente novas, ou até adicionar um conceito nunca antes visto!

Algumas ressalvas:

I. Não vejo uma linha precisa pra dividir um conceito antigo de um novo. O que é algo novo? O que é algo diferente? Qualquer linha é arbitrária. Este problema fica claro na metáfora do Barco de Teseu. Imagine que Teseu tinha um barco que pra fins de discussão chamaremos de Elena, que usava para navegar pelas ilhas gregas. Um dia, o mastro quebrou. Logo, Teseu colocou um mastro novo. Em outro momento, a vela rasgou. Então, Teseu colocou uma vela nova. Em outro momento, um lado do casco furou e Teseu teve que refazer aquele lado. Teseu foi trocando pedaço por pedaço do barco até que todos os pedaços são novos, de cores, tamanhos e materiais diferentes.

O barco final ainda é o mesmo barco, apesar de todas as peças serem diferentes? Mas em qual momento Elena deixa de ser Elena para ser um outro barco? Em que momento eu traço uma linha e digo “antes daqui é Elena, depois não é mais?”

O mesmo acontece com times de futebol. Mudam os jogadores, os diretores, a torcida, até o brasão, mas ainda chamamos tanto o Corinthians de 1915, quanto o de 1965, quanto o de 2015, de Corinthians. Ainda consideramos ser o mesmo time. A mesma coisa com espécies na taxonomia biológica: se tivéssemos um exemplar de cada ser vivo que já existiu, e colocássemos todos eles em linhas temporais que foram se ramificando, não teríamos uma distinção de onde uma espécie acaba e uma nova começa; as únicas duas formas não arbitrárias de separar espécies seriam: dizer que cada ser vivo é uma única espécie diferente, ou que todos são a mesma espécie.

O problema também acontece com idéias narrativas, literárias, de filmes, etc. Se colocar todas as idéias em linhas que foram se ramificando, seria impossível dizer onde uma idéia antiga acaba e onde uma nova começa. Eu exploro bem este problema em um pequeno áudio dramatizado que eu fiz e publicaram nos últimos 10 minutos do SciCast 88. Recomendo.

II. Eu defino criatividade como capacidade de criar algo novo ou recombinar idéias já existentes de forma não antes feita. Pode ser que criatividade signifique algo diferente para você. Tudo bem, não tem problema. Deixa nos comentários o que é criatividade pra você! Eu acho interessantíssimo o quão criativos podemos ser para defirnir criatividade de formas diferentes.

O Vsauce tem outros vídeos excelentemente maravilindos sobre alguns aspectos do problema:

The Zipf Mystery

Did The Past Really Happen?

When Will We Run Out Of Names?

How many things are there?



E você caro leitor? Tem algum devaneio criativo sobre a criatividade?

ROCK OFF!

Quase Ficando Doida!

Rock ON!!!

Véspera da prova de Cálculo. Estou estudando, parei para falar com vocês.
Hoje teve reunião do Projeto X, que vai parir um Projeto Y. Oh, yeah… estamos evoluindo e vamos ficar loucos. Bom, né?

Agora está chovendo e isso me anima bastante, estava quente, precisava chover.

Comprei 4 pacotes de rações diferentes para o Kojiro, meu gato. Ele escolheu uma e ficou feliz. Eu fiquei com menos dinheiro, mas tudo bem, pelo Kojiro vale a pena.

No trabalho: muito trabalho a ser feito, ainda estou pondo em ordem minhas tarefas. Tá difícil. Ainda existe o drama do HD Externo, agora surgiu uma nova novela: impressora colorida e uso irracional dos insumos. O pessoal lá está sem controle algum, desperdiçam muito.

Ah, comprei um ventilador novo, o meu pequeno não estava dando conta lá no trabalho.

O Prof. que coordena o Projeto X é um cara muito legal e é extremamente acelerado. Hoje fui ajudá-lo, achei bacana e produtivo, mas saí bem estressada com algumas situações comportamentais que houveram. Senhor professor [ele fica puto quando o chamam de senhor, foi proposital, portanto, fique puto! =P], se estiver lendo isso, saiba que eu me esforcei bastante hoje para traduzir simultaneamente o que estávamos lendo. Foi um exercício novo para mim, porque normalmente eu leio, interpreto o texto e depois encontro o contexto. Nunca havia tentado traduzir simultaneamente para alguém, ainda mais um ser de natureza tão acelerada quanto a sua.

Ah, a parte do ‘senhor’ foi brincadeira, não fique bravo! =) [um a parte para informar que ele é mais novo que eu em 2 anos até 9 de dezembro, depois serão 2,5 anos. rs]

Agora falando sério, aquilo que estávamos montando hoje foi bem bacana, obrigada pela oportunidade. Estou cheia de ideias sobre isso… acho que neste final de semana já começo a desenvolver algo, para brincar.

Ah, é!!! Aquele vídeo do Chuck é muito tosco… pelamor, né??? =P vc não existe!
Bom, é isso, galera.

Vou estudar mais.

Rock OFF!!

A Função Maligna!!!

Rock ON!!!

Era uma vez, a “f(x) = x³-3x²+2”, um professor de cálculo e eu.

O professor passou essa “f(x) = x³-3x²+2” num exercício “parolar”. Neste final de semana, fui tentar fazer a tal função.

Estou até agora tentando entender como faço para achar as raízes dela.

Já pesquisei no Google, pessoas no Twitter tentaram me ajudar, assisti vídeos no YouTube, consultei livros, apostilas e nada, ainda não consegui entender como acho raízes.

Para não dizer que não achei nenhuma, achei 1 raiz, fazendo por substituição até zerar a função:

f(x) = x³-3x²+2
f(1) = 1³-3(1)²+2
f(1) = 1 -3 + 2
f(1) = -2+2
f(1) = 0

Alguém pode me ajudar com isso?

f(x) = x³-3x²+2

f(x) = x³-3x²+2

Rock OFF!!

Professor de Cálculo 2

I made this painting with ‘Paint Joy’ on my Android phone:-)

image

Rock ON!!! Este eh o meu novo professor de cálculo 2. Vai ser um semestre complicado, mas ele fica no IFSP para tirar dúvidas, então talvez seja bom assim. Vou fazer uma série de caricaturas dos meus professores. Acompanhem! Rock Off!!!

IFSP: A Greve Continua e Minha Rematrícula

Rock ON!

Pessoal, boa noite.

A greve continua na faculdade e as notícias que vejo na mídia não são nada boas. Tem um comunicado no site da FASUBRA, cuja chamada é assim: “Não haverá matrículas nem vestibular”.
Só isso já assusta qualquer um! Imagina quem passou no vestibular e lê uma coisa dessas? Pobres diabos!

O comunicado todo pode ser lido aqui: http://fasubra.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2962%3Anao-havera-matriculas-nem-vestibular&catid=18%3Aslideshow&Itemid=19

Bom, mudando de assunto, o sistema de rematricula voltou a funcionar, precário, com erros, mas voltou a funcionar.

Vejam só: me matriculando numa disciplina na quarta, o sistema cancelou a da quinta-feira.

Mandei um email aos responsáveis e obtive como retorno para fazer aquilo que conseguisse e depois fizesse o acerto na secretaria da faculdade (aquela que está em greve… sem maiores comentários sobre isso).

Então para o meu semestre ser menos ruim, garanti banco de dados na segunda, Java2 na terça (torcendo para ser o mesmo professor) e matemática 2 na quinta, nas duas últimas. C# 1 era a matéria que tava dando problema e C# 2 sequer apareceu para mim.

E essa é a vida do aluno do IFSP: tensão do começo ao fim do semestre.

Rock OFF!

Alan Turing, o Pai Matemático da Computação!

Texto sobre Turing na Wikipedia

Rock ON!!

Oi, pessoal!

Alan Turing estaria fazendo 100 anos se estivesse vivo hoje. Ele foi o pai matemático da computação e personagem muito importante durante a 2ª Grande Guerra Mundial, pois foi um dos cientistas que conseguiu quebrar o código da máquina Enigma, utilizada pelos nazistas, favorecendo a vitória dos Aliados, pois as transmissões de informações essenciais entre as forças armadas dos países do Eixo,  eram feitas criptografadas.

Aliás, devo dizer que os aliados também foram bem espertos utilizando criptografia também, pois levaram para o front índios navarros, o que ficou conhecido como código Navarro, era nada mais nada menos que transmissões de informações via rádio feita no idioma navarro! Alemão ia entender? Óbvio que não! Fizeram até um filme, muito bom sobre isso, chamado Código Navarro. Vale a pena procurar para ver.

Bom, voltando ao Turing, este ano na faculdade iremos fazer um dia especial do Turing, para homenageá-lo. Seria hoje, mas devido ao fato de ser num sábado, final de semestre, a organização achou melhor deixar para setembro, que é quando temos a semana de Tecnologia do nosso curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Estou ajudando na criação do cartaz e por isso andei pesquisando algo sobre o Alan há um tempinho.

Diante disso, hoje o Google fez um doodle especial, onde o objetivo é acertar o código para escrever Google. Bem divertido e vou deixar o link lá no cantinho, vocês sabem: Rock It Too!

Mas como pesquisei sobre Turing, acabei caindo naquela época na Wikipedia, um texto muito bom que foi COPIADO na cara dura pela equipe do Terra Notícias e nem citaram a fonte. Então, meus amigos, podemos dizer que eu, uma blogueira, não formada em jornalismo, tenho mais capacidade que um dito jornalista do Terra para escrever um mini texto sobre o Turing, que foi a introdução desse post, né? 

Aliás, acho muito feito um canal de notícias copiar um texto todo da Wikipédia, não é porque é uma enciclopédia livre, que se pode copiar o texto todo assim e não citar a fonte. Aliás, acho isso o fim! E por favor, não copiem meu texto, estudem, leiam e aprendam a criar seus próprios textos, não dói, não faz cair cabelo e nem dente! 

Voltando ao Turing, o cara foi um verdadeiro gênio da época e nos forneceu as bases matemáticas da computação. Mas sua vida pessoal, como a de todo o gênio, foi muito conflitante: era homossexual, não assumido e quando o fez, foi expulso da universidade (olha que absurdo, gente!) e ainda participou de experimento com hormônios femininos (agora não me lembro porquê) o que o deixou as glândulas mamárias aumentadas (mamilos tão polêmicos!!!). Tinha uma fascinação esquisita pela história da Branca de Neve, tendo até feito representações da mesma em teatro. Morreu jovem, envenenado. Próximo ao seu corpo, foi encontrada uma maçã meio mordida (Apple? Jobs?) onde acredita-se tenha sido o fruto usado como meio para que ele consumisse o veneno, ou seja: fã da Branca de Neve MESMO!!!

 

Rock ON!!!Passe…

Rock ON!!!

Passei uma semana ausente, mas é porque estou na reta final do semestre da Facul e pouco sobra tempo para postar. Por isso, peço mil desculpas. Ok, não desculpe se não quiser. XD apenas continue vindo aqui e conferindo as novidades. O Rock Me ON pode desacelerar, mas não está perto do fim! Aha!!

Vamos lá. Dessa vez não tem desenho, mas algumas garimpadas no YouTube que gostei e resolvi postar para vocês.

Primeiro o meu favorito e que já estou enchendo o saco dos amigos com isso, pois estou vendo praticamente todos dias. Mas é muito engraçado, vocês vão ver!

Divirtam-se!

Cálculo é muito tenso, então vamos relaxar com May The Force Be With You da banda brasileira Dr. SIN!
O clipe ficou muito engraçado, vale a pena conferir. Além disso a música é muito boa. E uma observação: eu não gosto de Star Wars, mas admito que ficou muito bom o clipe!

Já ouviu a música do Pi?

E a do Fibonacci?

Problemas com derivadas e integrais? essa paródia do Queen é a solução!

São inúmeras as paródias com esse trecho de filme. Aliás, é um bom filme sobre a Segunda Guerra Mundial e esse é um dos pontos mais dramáticos. O ator é muito bom, um papel pesado interpretar o Hitler, mas enfim, chega de lenga-lenga e vamos à paródia! Hitler bombou em cálculo.

PHP vs. Python vs. Ruby vs. Java vs. .NET –> sem legendas…

PC vs Mac Vs Linux –> sem legendas…

Morre Diabo versão Java:

Java, o filme: Confesso, queria que fizessem esse filme!

E essa aqui eu fiquei com medo: Disney e o Nazismo.

Tem esse outro da Disney, explicando como surge um nazista. Sem legendas e muito tenso:

Nossa, que tenso, vamos amenizar com dois vídeos do Carlos Ruas (www.umsabadoqualquer.com.br):

Um dia na vida de Deus:

E para finalizar, que tal Anderson Silva? Trocadilho ruim, mas aqui vão alguns erros da propaganda da cerveja!

E é isso, pessoal!

Rock OFF!

Pierri, o Quadrado!

Pierri, o Quadrado

Pierri, o Quadrado

Rock ON!

Adorava se vestir de mosqueteiro. Adorava a França daquela época. Achava que era um homem íntegro e um galã. Mas não passava de um babaca. Foi apelidado de Pierre, o Quadrado pelos ‘amigos’. Não bebia cerveja com estranhos. Morreu jovem e sozinho num quarto no Pari.

Rock OFF!

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